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Morre em Porto Alegre o tradicionalista Paixão Côrtes


Morreu na tarde desta segunda-feira (27) em Porto Alegre o tradicionalista João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes. Ele estava internado no Hospital Ernesto Dornelles. A instituição confirmou que o óbito aconteceu às 16h05, mas não informou a causa.

O governo do Rio Grande do Sul decretou luto oficial de três dias. O velório será realizado a partir das 10h no Salão Negrinho do Pastoreio, no Palácio Piratini, em Porto Alegre.

O presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), Nairo Callegaro, lamentou a morte, mas exaltou o legado deixado por Paixão Côrtes. "Nós perdemos, a sociedade gaúcha, o Brasil, o mundo, porque ele se projetou para o mundo, levou para o mundo quem era o gaúcho, quem somos, que tipo que habita no Sul do Brasil, no estado do Rio Grande do Sul, a nossa história, nossa cultura, nossos usos, nossos costumes, enfim, todo esse legado nós temos a reponsabilidade manter vivo e levar às futuras gerações", disse.

Paixão Côrtes estava na UTI do hospital, se recuperando de complicações após uma cirurgia. Aos 91 anos, ele sofreu uma queda ainda em julho e fraturou o fêmur de uma das pernas.

João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes nasceu em Santana do Livramento, na Fronteira Oeste gaúcha, no dia 12 de julho de 1927. Era agrônomo, mas se tornou conhecido como folclorista, radialista e pesquisador, considerado um dos maiores nomes do tradicionalismo no Rio Grande do Sul. Ele serviu de modelo para a estátua do Laçador, monumento que homenageia o gaúcho na entrada da cidade de Porto Alegre.

O monumento assinado pelo escultor Antônio Caringi foi escolhido em 1992 como símbolo de Porto Alegre. Tombada como patrimônio histórico em 2001, a estátua foi transferida em 2007 do Largo do Bombeiro para o Sítio O Laçador, onde fica até hoje, devido à construção do Viaduto Leonel Brizola.
Paixão Côrtes foi um dos idealizadores do movimento tradicionalista no Rio Grande do Sul, juntamente com Luiz Carlos Barbosa Lessa e Glauco Saraiva. Em 1948, ele organizou e fundou o Centro de Tradições Gaúchas (CTG) 35 e, em 1953, fundou o pioneiro Conjunto Folclórico Tropeiros da Tradição.

O tradicionalista também é considerado responsável pela abertura de mercado da ovinocultura no estado, com métodos e técnicas de tosquia, desossa e gastronomia trazidos da Europa. Ele ainda trabalhou durante 40 anos na Secretaria Estadual de Agricultura.




Foto: Foto: Ivo Gonçalves/PMPA
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