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Quando o assunto é Proclamação da República – Por Rafael Camargo (Parte I)

Quando o assunto é Proclamação da República, ou os últimos anos do Período Imperial, é comum, não refletir sobre o contexto histórico e os motivos que levaram o então Imperador Dom Pedro II perder apoio gradativo das forças politicas nacionais. Embora a simpatia pela monarquia fosse cada vez mais evidente, a figura de Dom Pedro II ainda era respeitada e admirada por pessoas como Marechal Deodoro da Fonseca, ironicamente o homem que proclamou a república em 15 de Novembro de 1889.

Dom Pedro II começa a perder parte de seus aliados, logo no término de uma das vitórias militares mais famosas do Império. A Chamada, Guerra do Paraguai (1864-1870), ainda durante o conflito, Militares de alta patente exigiam do governo mais prestigio e espaço nas decisões tomadas pelo Monarca. Por outro lado, afro-brasileiros pertencentes ao Exército, libertos por terem lutado no conflito, pleiteavam a liberdade de seus familiares que continuavam a ser escravizados. O governo Imperial cede a pressão dos militares de alta patente, pouco faz pela população afro-brasileira escravizada.

Durante os 24 anos que separam o final da Guerra do Paraguai e a Proclamação da Republica, Dom Pedro II e seu governo sofre uma série de pressões internas e externas, que culminara na queda da monarquia brasileira.

Logo após o término da Guerra do Paraguai, o governo Imperial promulga a Lei do Ventre Livre, em 28 de Setembro de 1871. Isto desagrada grandes latifundiários e produtores de café, açúcar e demais escravistas. Com esta ação, o governo inicia um processo de perda gradativa de sustentação [...] O movimento abolicionista aos poucos ganha corpo, desagradando ainda mais a elite cafeicultora e agraria, que exige do governo uma postura que possibilite manter o trabalho escravizado como principal força motriz da economia imperial. Outros setores importantes como o a Igreja deixam de apoiara monarquia.

Por qual razão será, a igreja deixa de apoiar Dom Pedro II?
Durante o Segundo Reinado, o sistema de padroado instaurou uma grave crise entre Dom Pedro II e os clérigos católicos brasileiros. Tudo começou em 1864, quando o papa Pio IX enviou uma bula que determinava, entre outras coisas, que todos os católicos envolvidos com a prática da maçonaria fossem imediatamente excomungados da Igreja. O anúncio acabou atingindo diretamente Dom Pedro II, que integrava os quadros da instituição censurada.

Valendo-se dos poderes garantidos pelo sistema de padroado, o imperador brasileiro formulou um decreto em que não reconhecia o valor da ordem dada pela Santa Sé. Inicialmente, a ação de D. Pedro II não teve maiores repercussões, tendo em vista que a maioria dos clérigos brasileiros apoiava incondicionalmente o regime monárquico. Entretanto, os bispos de Olinda e Belém preferiram acatar a orientação de Pio IX, promovendo a expulsão dos párocos envolvidos com a maçonaria.

Inconformado com a insubordinação destes bispos, o imperador reagiu com a condenação dos mesmos à reclusão e prestação de trabalhos forçados. Imediatamente, os membros da Igreja passaram a atacar o regime imperial dizendo que D. Pedro II cometera um ato de extremo rigor e autoritarismo. Mesmo anulando a decisão posteriormente, o governo imperial perdeu uma fundamental e influente base de apoio político ao regime.(SOUZA, 2015) 

Igreja Católica e Maçonaria, sempre tiveram uma relação pouco amigável, logo, ocupavam posições antagônicas politicamente falando. Pedro de Alcântara pertencia a Maçonaria, parte da igreja julgava que ele, não dava o legitimo reconhecimento à igreja. Sendo assim, aos poucos, a igreja católica deixa de apoiar o Imperador.

Outro elemento que contribui para a queda do regime é o Movimento republicano, que a partir de São Paulo, principalmente após a Convenção de Itu, em 18 de abril de 1873, começa a atrair simpatizantes, o que possibilita o surgimento de vários partidos republicanos, como por exemplo, o PRR ( Partido Republicano Rio Grandense) e a gradativa perda de apoio ao regime vigente . Estes fatores aliados a assinatura da Lei Aurea de 13 de Maio de 1888, e a pressão externa pelo fim do escravismo, culminaram na queda do governo imperial em 15 de Novembro de 1889.



Por Rafael Camargo – Professor  de História
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