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05 setembro, 2015

Bullying no trabalho: bons profissionais sofrem assédio por parte dos colegas


Pessoas pró-ativas e que buscam superar as expectativas são cobrados negativamente por colegas mais acomodados

Muitos acreditam que o assédio moral, ou até mesmo o bullying, tem uma só mão de direção nas empresas e vai sempre do chefe para o subordinado. No entanto, uma pesquisa realizada pelo Instituto de Bullying no Trabalho dos Estados Unidos, divulgada em 2014, mostra que o bullying no trabalho também é praticado entre colegas. De acordo com o levantamento, pelo menos 72% dos empregados norte-americanos foram vítimas, estão sendo alvo ou conhecem casos de bullying no trabalho. Do total de empregados pesquisados, ao menos 28% relataram que o bullying partiu de um colega ou de colegas de trabalho e não propriamente dos chefes.

“Esse é um fenômeno ainda invisível nas empresas, ou seja, quando as pessoas sofrem assédio por parte de colegas. E, por incrível que pareça, esse tipo de bullying tem geralmente a ver com o fato de a vítima ser um bom profissional, ter ótimo desempenho e começar a incomodar os colegas, que se sentem ameaçados”, explica Eduardo Carmello, diretor da Entheusiasmos, empresa especializada em gestão de talentos.

O consultor em liderança ainda assinala que em pelo menos em 90% das empresas brasileiras o empregado que faz mais, é pró-ativo e busca superar as expectativas é mal visto pelos colegas, o que leva a uma situação que fatalmente termina no bullying. “Frequentemente escuto queixas de bons talentos nas empresas que raramente são reconhecidos e, pior, costumam ser perseguidos por outros grupos de empregados que deixam claro que o bom desempenho deles evidencia claramente o mau desempenho de todos os demais, daí porque costumam intimar os bons profissionais a 'baixarem a bola'”, alerta.

Outra informação surpreendente da pesquisa do instituto diz respeito ao perfil da vítima. De acordo com os dados, 37% daqueles que mais sofrem esse tipo de perseguição são considerados gentis e dotados de compaixão, outros 22% costumam ter jogo de cintura e atuam para alcançar um acordo e 19% são cooperativos. Ao contrário do que se imagina, os agressivos, com 15%, e os abusivos, com 6%, não são as principais vítimas. “Esses dados são muito reveladores, pois evidenciam claramente as razões pelas quais muitos bons profissionais deixam as empresas, que é a falta de reconhecimento e perseguição por parte de colegas que buscam esconder sua incompetência perseguindo quem têm bom desempenho e uma visão mais humanitária da empresa”, diz Carmello.

Para ele, quando um clima como esse se instala na empresa, os grandes derrotados são a própria organização e o empregado com desempenho excepcional, que se torna vítima do assédio. Nesse sentido, a empresa que não agir para conter esse problema vai perder as pessoas que fazem a diferença junto ao cliente e manter justamente aqueles acomodados, que são incapazes de gerar bons resultados. “Como evitar que isso aconteça? É fundamental que as empresas tenham sistemas de competência e de meritocracia que reconheçam os bons empregados, que ajudem a desenvolver as pessoas medianas e que gerem consequências para aqueles que têm baixo desempenho. Hoje, a maioria das empresas brasileiras faz exatamente o oposto, ou seja, trata da mesma forma bons e maus profissionais, com um agravante: aquele que trabalha muito e bem acaba conseguindo apenas mais trabalho, ou seja, acaba fazendo aquilo que os empregados de baixo desempenho deixam de fazer”, assinala.

Além disso, para o bom profissional, ganhar o mesmo que todos os demais e ainda ter que fazer mais do que os outros é um fator de desmotivação e a principal razão para que essa pessoa deixe a organização.



Foto: penseempregos/reprodução - Pesquisa realizada nos Estados Unidos mostra que 72% dos empregados são vítimas de bullying no trabalho

Fonte: penseempregos